domingo, 8 de maio de 2016

EVITE A MATANÇA DE ELEFANTES (assine) - Avaas -


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Ronaldo S.Oliveira telleronaldo@gmail.com

1 de abr
para mim
Grato pela dupla colaboração!

OS ELEFANTES ESTÃO SENDO ASSASSINADOS!
NÃO PERMITA. Assine a petição abaixo. Grato!


Queridos amigos: O comércio de chifres de marfim está levando os elefantes à extinção. Surpreendentemente, o Yahoo faz parte da cadeia de venda de produtos feitos deste material em sua filial do Japão! Mas agora temos uma chance de fazer com que eles desistam desse comércio de sangue monstruoso.
Cerca de 100 elefantes são mortos diariamente para suprir a demanda dos consumidores. E, por serem animais inteligentes, eles sentem a dor e o horror de terem seus chifres arrancados. 
Por isso, vamos juntar um milhão de vozes para proteger essas criaturas -- a Avaaz vai colocar anúncios publicitários focados em empregados do Yahoo ao redor do mundo, exigindo mudanças internas para acabar de uma vez com este comércio cruel. Adicione sua voz: 
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SOLIDARIEDADE PARA UM MIJADO!
  Você está numa reunião e, DE REPENTE, percebe que está todo MIJADO. E pior: todos PERCEBEM! Este é o meu caso. Meu nome é Ronaldo Soares de Oliveira, 74 anos (20-10-1941), aposentado de UM SALÁRIO MÍNIMO (posso provar), morador de Alvorada/RS, fone 51 - 3082-5444 e celular 51 - 8474-0903, e-mail: telleronaldo@gmail.com.

   Há três anos sofri uma cirurgia radical da próstata e, em consequência,
fiquei com uma forte INCONTINÊNCIA URINÁRIA e a única solução para não ficar usando absorventes, indefinidamente, é a colocação de um ESFINCTER ARTIFCIAL cujo custo vai de R$ 50 mil a R$ 70 mil
(importância que nem sonho possuir).

Para conter a urina uso três absorventes por dia, os quais recebo, grátis, regularmente do INPS, no "Postão do IAPI" de Porto Alegre (posso provar). E a cirurgia para a colocação da prótese (o ESFINCTER) felizmente é realizada gratuítamente pelo SUS. O problema é comprar o ESFINCTER que o SUS não disponibiliza e custa R$ 50 mil. Por isso, estou pedindo DOAÇÕES para adquirir esta prótese, as quais podem ser de R$ 2,00 a R$ 10,00 (ou quanto você quiser doar). A importância deve ser depositada na Agência 0449 - OP 013 - CONTA 00000525-1 - da Caixa Econômica ou numa Lotérica, em nome de Ronaldo Soares de Oliveira.                                                                                                                                    Antecipadamente grato.

VEJA O QUE É:
ESFINCTER ARTIFICIAL  EVITA O "CÂNCER SOCIAL"
     Os especialistas afirmam que quando o homem  passa a ter incontinência urinária pós-cirurgia, ele deixou de ter um câncer na próstata e passou a ter um "câncer social". A perda involuntária de urina se deve ao mau funcionamento do esfíncter, músculo em formato de anel que controla o ato de urinar e, por ser muito próximo da próstata, pode ser prejudicado com a cirurgia da glândula. Em casos leves e moderados, o tratamento é feito com slings – malhas cirúrgicas que funcionam como um suporte reforçando a sustentação da uretra — e injeções endoscópicas. Para os casos mais graves, o tratamento recomendado é colocar uma prótese, caríssima, (seu preço está entre R$ 60 mil e R$ 80 mil ) chamada de esfíncter urinário artificial, que substitui o mecanismo natural de continência e é considerada padrão-ouro para o tratamento da incontinência urinária masculina.
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 CUSTO DA PRÓTESE: R$ 50.000,00




















O SUS - Sistema Único de Saúde ainda não oferece o tratamento, mas os especialistas defendem a inclusão do procedimento pelo impacto direto na qualidade de vida do paciente. Repetindo“Quando o homem passa a ter incontinência urinária pós-cirurgia, costumamos dizer que deixou de ter um câncer na próstata e passou a ter um CÂNCER SOCIALl”, lamenta o especialista, ressaltando a importância da inclusão do procedimento também no serviço público.
Qualidade de vida
Realmente, a incontinência urinária pode trazer impacto importante (e negativo) na vida do paciente. Estudos apontam que doenças no sistema urinário são as que mais afetam a qualidade de vida, perdendo apenas para a depressão. “Uma pessoa com incontinência urinária, por exemplo, se distancia do convívio social”, diz o urologista.O uso do esfíncter artificial permite uma rotina normal e a possibilidade de retomar as atividades cotidianas, como viajar, ir ao cinema ou participar de uma longa reunião de trabalho.

O ÚLTIMO ORELHÃO conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

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O vilarejo estava situado nos cafundós da Amazônia. Luz elétrica não existia e celular não alcançava a região. Ou melhor, havia um orelhão ali plantado há mais de 10 anos, funcionando sem a necessidade de fichas... Mas ninguém o usava, pois não havia para quem ligar. E o aparelho era cuidado como uma relíquia, pois não tinha quem lhe fizesse manutenção; e aparentemente estava esquecido de qualquer empresa de telecomunicações, talvez por considerarem algo obsoleto ou por piedade daquela gente tão miserável.
Até que um dia formandos de uma faculdade de medicina e de odontologia lá chegaram na condição de voluntários. Deveriam ficar por duas semanas, mas lá permaneceram seis meses tal era a necessidade de saúde, especialmente bucal. Reduziram a mortalidade infantil, ensinaram métodos de higiene e alimentação saudável com a construção de hortas que entusiasmou a todos...
Luciana, que era urologista, ensinava hábitos até então desconhecidos pela comunidade. Promovia aulas de sexologia desmitificando tabus como a virgindade. Suas aulas eram frequentadíssimas e ela conseguiu atrair os homens, sempre arredios. Como única ligação com a civilização, o orelhão era concorridíssimo. Os voluntários faziam fila para comunicar o adiamento de sua permanência aos familiares e à universidade. Mas se queixavam de que o aparelho estava a cada dia mais fraco, quase inaudível...

Quem mais entendia do orelhão era Pedro, um homem simpático de meia idade, de poucas palavras e personalidade impenetrável. Suas únicas palavras, sempre, eram sim e não; não importando a pergunta. Era contraditório. Se lhe perguntassem se o aparelho estava bom, ele poderia dizer que sim e, no minuto seguinte, responder que não... Pedro morava só, distanciado dos demais, fazia a sua própria comida e, surpreendentemente, sabia ler e escrever . Acredita-se que tenha aprendido, há uns 20 anos, com um explorador inglês que também deixou-lhe de presente “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, único livro que Pedro lia e relia com obsessão.
Luciana, a urologista, soube da história de Pedro e resolveu procurá-lo, apesar dos senões de toda a comunidade. Ainda assim ela foi. A porta da choupana não se abriu mesmo com as muitas batidas desferidas pela médica. Luciana fingiu que desistira e a uma certa distância, por detrás de uma árvore, observou que o solitário pedro a vigiava por uma fresta da janela...                                     
Ela deu meia volta e rumou, resoluta, em direção à choupana. Bateu, bateu, bateu e nada... Então, sabedora da história do livro único, pôs em execução uma idéia: começou a emitir conceitos sobre o livro "A Origens da Espécie" que, surpreso, Pedro respondeu enriquecendo os tais  conceitos. Para, em seguida, abrir a estreita janela para ouvir e se fazer ouvido...
Luciana pediu que ele abrisse a porta para que pudessem conversar melhor. Ele pensou, pensou; demorou uns cinco minutos e, com reservas, abriu a portinhola. Não havia onde Luciana pudesse sentar e ela puxou conversa assim mesmo. Hesitando em responder, ele disse que só falaria sobre o livro ou, então, que ela fosse embora! Ela concordou, mas perguntou se ele gostaria de ler outros livros? A resposta foi um sonoro não; repetindo que aquele seria o único livro da sua vida. E, assim, passaram mais de três horas lembrando passagens do livro... Pedro dava uma aula sobre a "Origem da Espécies", afinal ele conhecia o livro de Darwin de cor.
Quando Luciana insistiu que era interessante ele tomar conhecimento de outras obras, aproveitando a sua inteligência, ele se irritou e mandou-a embora. Ela perguntou se poderia voltar no dia seguinte? A resposta ficou atrás da porta fechada. Mas foi um progresso. Ela conseguira quebrar o gelo daquele homem solitário.  A comunidade e os colegas de Luciana quase não acreditaram. No dia seguinte, sabedora dos hábitos de Pedro, ela foi procurá-lo. Ele acordava às 5 horas, um pouco antes do sol nascer, tomava um banho de rio e preparava seu próprio café, ou melhor, chá, que consistia de 2 bananas, 1 laranja, 1 naco de coco e uma caneca de chá...
Luciana o surpreendeu quando ele ainda não terminara o desjejum numa mesa improvisada. Antes que Pedro reprovasse a sua visita, ela se adiantou e perguntou de um fôlego só: "E o que foi feito do Beagle, o valente navio de Darwin?" A pergunta o embaraçou ficando sem resposta. Luciana, então, com muito tato observou: "É pra isso que servem outros livros..." E o que aconteceu com o navio? - pergunta Pedro cheio de curiosidade. Ela conta o destino do navio reafirmando a utilidade da leitura. Pedro lamenta não ter outra cadeira e oferece a sua. Luciana agradece e diz esperar que ele termine o chá. Depois, sem que Pedro se dê conta, eles já estão falando de outros assuntos... E, animadamente, ela convence-o,  já sem muita persuasão, a conhecer os seus colegas.

Um dos voluntários, que é psicólogo, surpreende-se com a inteligência de Pedro, considerando-o nada menos que um superdotado. Todos os voluntários trouxeram, além dos livros técnicos, boa literatura nacional e estrangeira. E de bom grado presentearam Pedro com muitos livros, que ele foi devorando com um apetite invulgar. Sempre a seu lado, Luciana foi dirimindo as dúvidas que surgiam... E, às vezes,  Pedro inventava dúvidas só para ficar ao lado dela. Faltavam apenas três dias para os voluntários retornarem. E Luciana comunicou a Pedro,  prometendo enviar-lhe outros livros. Ele lamentou a decisão e pediu que ela ficasse, o que seria impossível - ela disse -, argumentando que tinha inúmeros compromissos em sua cidade. Além, é claro, dos relatórios que a universidade esperava.
Duas lágrimas discretas verteram dos olhos de Pedro e outras foram escondidas de Luciana por seus rápidos passos em direção à mata... E lá ficou, sem voltar para choupana. Luciana o procurou, em vão. Finalmente, depois de uma triste reunião de despedida, em que aquela pobre comunidade do fim-do-mundo demonstrou todo o seu agradecimento aos voluntários, eles embarcaram na lancha que os levaria ao continente.
Não encontrando Pedro, Luciana deixou-lhe um carinhoso bilhete debaixo da porta da choupana, que dizia: "Meu querido e inesquecível amigo Pedro, lamento não ter podido me despedir de ti. Lamento de verdade! Não vou esquecer da pureza que encontrei aqui... E principalmente do ser humano maravilhoso que você é. Que bom se a cidade grande um dia adquirir a simplicidade e a grandeza de caráter desta comunidade... Por isso, meu amigo, é bom que permaneças aqui para que não percas esta qualidade tão rara. Eu é quem deveria ficar aqui... Sei lá... Vou te telefonar. Cuida bem do orelhão, ele é teu. Um saudoso abraço! Luciana."
Luciana, logo que chegou na cidade ligou para a comunidade. Chamaram Pedro, que veio correndo e conseguiu dizer apenas sete palavras antes da ligação ir enfraquecendo, enfraquecendo, até desaparecer de todo. Naquele momento, em algum lugar, uma empresa de telecomunicações acabava de desativar o que eles chamaram de "o último orelhão".
Mas Luciana ainda conseguiu ouvir e gravar no seu celular aquelas sete palavras: "Luciana, que saudades! Como eu te amo..." E lágrimas rolaram dos seus olhos, como Alice, do País das Maravilhas, ao despedir-se do Chapeleiro romântico; e o pensamento a deslocou para aquela comunidade do fim-do-mundo...

                                                                                                                  A ESPERA
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
Resultado de imagem para alguém sozinho na multidão acenando
Eles estavam a menos de cinco metros de distância um do outro, num terminal de ônibus. Ambos de capuz, tremendo de frio; ela mal conseguiu vislumbrar o rosto que lhe solicitou as horas. O ônibus dela já ia dar partida quando ele suplicou para o motorista que lhe desse 10 segundos, tempo necessário para debruçar-se sobre a roleta e jogar um bilhetinho para ela.
Agradeceu ao motorista e acenou para janelinha onde ela estava. Cabeça descoberta, cabelos longos despreocupadamente despenteados, ela acenou alegremente; mostrando um par de olhos verdes seguidos de um sorriso alvo e tímido.

Com essa perda de tempo ele perdeu o ônibus, mas não se arrependeu. O seu bilhetinho dizia, em letras apressadas: "Menina encapuzada de alegre sorriso - ele se encantara com o sorriso que vira - ficaria feliz em corresponder-me contigo. Só tenho e-mail. Nada de importante tenho a revelar, por isso não tenho facebook. Envie o seu e-mail e vamos ser amigos! Boa viagem e desejo-te os mais lindos sonhos!"  Debaixo rabiscou o e-mail.
Ela, curiosa, ansiava chegar em casa para digitar algumas palavras para aquele misterioso rapaz. Não tão rapaz assim. Ele tinha cabelos grisalhos e a mesma idade de Richard Gere, 53 anos. Mas estava longe, muito longe do charme do famoso ator. Era professor e se aposentara precocemente por conta de um AVC que o deixara levemente manco. Levemente. Usava discreta bengala de aparentes pequenos nós de madeira; igual àquelas que os exploradores ingleses apareciam nos filmes...
Ela escreveu no seu e-mail: "Oi! meu nome é Leirá, tenho 23 anos, curso Engenharia e adoro ler e curtir música. Você me encontrou num momento difícil. Passo por uma dor quase insuportável; perdi minha cadelinha vitimada pelo câncer e estou em dúvida sobre o meu namorado... que é um tanto sufocante”. E você? Fala-me um pouco de ti.
O e-mail de Odlanor não demorou, com informações básicas, mas sinceras. Ele pedia o celular dela, acrescentando que não era sufocante e aceitaria ser apenas um amigo cordial, ressaltando a diferença de idades. Adorava o bom cinema, na telona e na telinha, e também a Fórmula 1 quando havia brasileiro correndo. Contou que a sua fantasia era idealizar uma "máquina do tempo", tal era o seu temor pela velhice. Acrescentou que amava a Música Popular Brasileira. Especialmente Paulinho da Viola; o incrível Raul Seixas; Caetano; Gil; Bethânea; Elis; o falecido Reginaldo Rossi (observa que "Mesa de Bar" é um hino); Martinho da Vila; o maravilhoso Bezerra da Silva (e seu espirituoso "Sequestraram a minha Sogra"); o genial Milton Nascimento e o inigualável Chico Buarque com a sua trágica “Construção”, “Mulheres de Atenas” e “Cálice”, entre tantas obras-primas...
Mas a exemplo de Leirá, que já havia confidenciado sua admiração pelo Rock, Odlanor demonstra o seu gosto pelo Jazz e, consequentemente, pelo Rock. Não esquecendo de mencionar Chuck Berry (um dos pais do formidável rítmo); Little Richards; as inesquecíveis Mamma (lésbica assumida "naquele tempo", que elevou o Jazz às alturas); a inigualável Billy Holliday; Ela Fitzgerald; o genial e falecido B. B. King; Rick Valley (o portorriquenho que compôs "La Bamba", outro hino); e, finalmente, ressalta o "genealíssimo branco" Elvis Presley. E solta uma frase de efeito, talvez para impressionar:  Elvis vive!
Como Leirá talvez tenha observado, Odlanor era "antigo" pelas suas preferências. Se bem que ele salientava que a música boa não tinha idade. Leirá negou o celular, por enquanto o e-mail bastava - disse. “Realmente, gosto das mesmas coisas que você, especialmente escrever. E observei a sua discreta e elegante bengala. Diferente daquelas chamativas de metal. Um charme! Onde a conseguiu? Foi num filme? Quanto a estar longe da figura do Richard Gere, é muita humildade sua. O cabelo branco e farto como o dele já é uma semelhança...Não para levar-te à Hollywood, é claro (he, he, he)”,  sentenciou brincando.
Noite-sim-noite-não o papo virtual continuava sem a mínima insinuação de um reencontro... O papo virou hábito, sempre de madrugada, até o galo cantar. Um dia ela deu uma dica: estaria apreciando a Parada Gay, domingo, no Parque Farroupilha. Ele foi e com alguma dificuldade avistou-a com aquele encantador cabelo desajeitado e longo. Mas não ousou aproximar-se, temendo a rejeição. À noite, pelo e-mail habitual, ela perguntou o que tinha havido? Ele respondeu que simplesmente não a encontrou devido a multidão.
E seguiram trocando e-mails revelando identidades e diferenças que os ligava. Consumiram-se seis meses. Ele viajaria por um longo período e, com medo de uma relutância, fez mil rodeios para, finalmente, pedir que no dia da sua partida ela comparecesse, às 10 horas, na Esquina Democrática, centro de Porto Alegre. Ele estaria lá para se despedir.

Domingo. Dez horas em ponto. Lá estava Leirá, olhando para todos os lados, apreensiva... Odlanor, de trás da coluna de um prédio, hesitava, hesitava... Foi quando pegou um pedaço de papel, rabiscou algumas frases e entregou para um garoto, alcançando-lhe uma gorjeta. O bilhete dizia: " Você está linda, vou recostar-me na janelinha do ônibus e sonhar que você veio me ver para sermos felizes. Sonhar será melhor... Sonhar com os teus longos cabelos sempre informais e teus olhos penetrantes e felizes. Vou fingir, por momentos, que o ônibus é uma Máquina do Tempo..."

Leirá leu e releu o bilhete. Finalmente, guardou-o pensativa. Por coincidência chovia e ameaçava gear. Vestiu o capuz e dirigiu-se para casa. No terminal do ônibus, uma voz murmurou o pedido de horas. Leirá respondeu de maneira inaudível, tomou o seu assento e pensou a célebre frase do Pequeno Príncipe: "cada um é responsável pelo que cativou..."


ENSINA-ME 
                             A MORRER...
                                                                       conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

          Entreolharam-se e surpreenderam-se por desenvolver o mesmo passatempo... Mas vejamos a história deles. Saffira era o seu nome (com dois efes ela insistia), tinha 27 anos e saíra de um relacionamento com um fim trágico. Ricardo, 54 anos, teve um matrimônio conturbado que não passou dos 4 anos. Foi aposentado precocemente por conta de um AVC que o deixou com a mão direita imobilizada.
                           

                                   
    De repente, decidiu que não mais perderia as tardes jogando damas na pracinha com idosos. Foi para o metrô e se encantou com a multidão. Entrava num vagão e descia quatro estações depois... Gostou e fez disso o seu passatempo diário... E adquiriu o hábito de perceber paqueradores; passageiros discretos; abusados, que se se encostavam maliciosamente nas mulheres como quem não quer nada; ladrões, típicos por ficarem colados às bolsas das passageiras ou espiando os desatentos que esqueciam de vigiar mochilas e sacolas no chão... E,  quando o marginal se preparava para saquear a vítima, ele entrava em ação tossindo na sua cara, fazendo-o desistir...
    Sua vida era mais triste. Aos 16 anos foi estuprada pelo padrasto. “Abrindo-se uma pessoa pode-se encontrar as mais tristes paisagens...” Assim ela se sentia em relação à violência sofrida. Saiu de casa e trabalhou como doméstica em várias casas. Concluiu o segundo grau, à noite, pelo Supletivo e passou a viver com a avó, que era paupérrima. Logo, em seguida, para evitar despesas foi para casa de uma tia, mas por pouco tempo. Num emprego pouco melhor, no comércio, conseguiu alugar um quartinho mais que modesto e até prestou vestibular para Matemática, que ela adorava... Mas não se classificou para a faculdade pública...
    Teve apenas dois namorados e passou a morar com o segundo, por quem se apaixonou. Mas tudo acabou quando ele morreu prensado pela porta defeituosa de um vagão do metrô.  “A sensação desta morte sofrida se confunde, até hoje, com uma imagem que vai permanecer para sempre”, desabafa. Desde então ela nunca mais teve qualquer relacionamento amoroso... E, após o trabalho, começou a circular pelos vagões do metrô até às 22 horas e ia dormir. Para Saffira, era o fim da esperança por dias melhores.

“A VIDA É COMO AS RODAS  DE UM TREM. NUNCA ESTÁ NO MESMO LUGAR”

   Descobriram-se ao descer e subir dos vagões inúmeras vezes. Sorriram um para o outro e entraram na lanchonete de uma estação. Solicitaram seus lanches: Saffira pediu chá preto com um pastel de cenoura, que não havia. Tomou apenas o chá. Ricardo pediu uma latinha de cerveja. Ela se definiu como uma “incompreendida”... E andar pelos vagões  se tornou  uma experiência muito divertida. Além do que – observava – “tenho salvo muitas bolsas...”.      


   Ambos retomaram o trem. E assistiram a uma cena inusitada: um casal discutia ferozmente, chegando a trocar tapas, quando o rapaz começou a rasgar as folhas do que parecia ser um diário. Uma das folhas caiu aos pés de Saffira, que a recolheu. O papel dizia, em letras trêmulas, “preciso deixar-te. Não dá mais para aguentar...”. Tal leitura indicou o porquê da briga.  Saffira adiantou-se para intervir. Em seguida, chegou Ricardo. Eles argumentaram que a discussão era inútil, pois já haviam lido uma das razões da moça... Eu tenho experiência – arrematou Ricardo – “vivi quatro anos com uma mulher que eu amava e, de repente, tudo se desfêz. A solução foi a separação, sem atritos...” Saffira foi mais direta e acrescentou que “quando um casal chega a este nível, incluindo socos, é inevitável a separação...” 
    A reação não foi das melhores. O rapaz, apontando o dedo para o rosto de Saffira, disse raivosamente, antes de pular do vagão: “vai te fuder!” deixando a mulher dele chorando. Pronto! Descobrimos outro “serviço de trem”... Vamos prestar solidariedade à moça – disse Saffira. Ricardo concordou. A jovem se chamava Angélica e devia ter uns 21 anos. Perguntaram aonde ela desceria? A resposta os deixou perplexos... “Vou ficar andando neste vagão até às 23 horas, quando o Mário retorna para casa; pois não tenho a chave do apartamento.” Mas, então, você vai voltar para ele? – perguntou Saffira.  Sim, vou. Não tenho outra alternativa, respondeu Angélica. Saffira sussurrou para Ricardo, em tom de brincadeira: “que tal a moça juntar-se a nós nas trocas de vagões?” Ricardo deu um sorrizinho maroto e disse pra Angélica sentar-se, recompor-se e esperar... E assim foi. Às 23 horas, ela partiu para o seu drama rotineiro...

     Ambos eram fãns de novela. “Algumas” com a qualidade do bom cinema, concordavam... Falando em cinema, ela gostava do cinema americano especialmente das comédias leves. E achava interessante que sempre haviam atores negros nos filmes. Mas admirava também o cinema brasileiro e citava “Tropa de Elite”, que assistiu duas vezes. Ricardo elogiava o cinema francês, principalmente o “antigo” (do qual Saffira, pela idade,  não conhecera). Gostava das boas histórias, com uma pitada realista, das belas trilhas sonoras, da inesquecível Catherine Deneuve, Alain Delon... E aproveita para lembrar que Saffira tem “o narizinho deliciosamente empinado como a atriz francesa Juliette Binoche”. Pelo que, ela graciosamente agradece.

    Ricardo aproveita a observação de Saffira sobre os negros no cinema americano e salienta que “as novelas e filmes brasileiros se parecem com produções dinamarquesas. Todos os atores são brancos, com raras exceções. Especialmente nas novelas...” Ao que Saffira admite que “nunca tinha pensado nisso, mas é uma verdade escandalosa.” Saffira observa, ainda, que no shopping onde trabalha raramente vê uma atendente negra nas lojas. No seu trabalho mesmo não há nenhuma. Ricardo lembra com amargura que um grande colega seu, negro, certamente um dos mais abnegados e inteligentes da empresa em que trabalhava nunca foi promovido. E quando “eu deixei a chefia devido ao derrame cerebral, a vaga que deveria ser dele foi dada a um funcionário reconhecidamente menos qualificado...” E concluiu: “E mais da metade da população brasileira é de negros e mulatos...”

    Nunca haviam ido à última estação. “Sonho que na última estação vou encontrar lindos pássaros e anjos. E, assim, acabar com a minha tristeza”, desabafa Saffira. Ricardo, que era ateu (ou à toa, como brincava) disse que pássaros ela poderia encontrar, mas anjos nunca.  Ela era levemente católica e não gostou do comentário. Mas não chegaram a discutir pois ambos não eram religiosos. “Depois da morte do meu namorado sou menos que um fragmento do que já fui...” – assim ela resumia o que sentia. Ricardo desculpou-se e , com um olhar meigo, diz que "a dor nunca se separa da memória..."

    O trem foi engolindo trilhos até que surgiu a última cidadezinha da linha. Conheceram casas e ruas superficialmente, mas gostaram do que viram. Especialmente do silêncio do início da madrugada. Passearam pelas ruas bem cuidadas e Saffira imaginou as coisas sinistras que estariam acontecendo dentro de certas casas...  E coisas belas também – disse o otimista Ricardo. Entrelaçaram as mãos e se afastaram bastante da estação. Ricardo tentou trocar de lado  (pois constrangia-se com o não funcionamento da mão direita). Ela se antecipou: “observei que você tem um pequeno defeito na mão. Mas quem não tem algum defeito?” Ricardo desistiu de trocar de lado e arriscou a pergunta contida: “ vamos procurar um hotelzinho, já que perdemos o último trem...” Saffira, num ímpeto, separou as mãos e retrucou: “você é como todos os homens. Só quer aproveitar a situação!” Ele, constrangido, afirmou que não. E concluiu argumentando que o trem só voltaria a circular às 5 horas da manhã. Saffira concordou desde que dormissem em quartos separados. Ele assentiu com a cabeça e encontraram um hotel barato.

    No momento da inscrição no balcão, para a surpresa de Ricardo, ela pediu para o atendente um único quarto. Mudos, sentaram-se na estreita cama de casal. E Ricardo a tranquilizou: “não vou forçar a barra...” e foi fazer a barba. Ela adormeceu e ele ficou minutos admirando, extasiado, o rosto meigo de Saffira... De repente, ela ergueu os braços, abraçou-o e disse suavemente: “ eu não faço sexo há anos. Seja delicado comigo...” Ricardo enlaçou-a com toda a ternura e sentiu a adolescência em seus braços. Fizeram amor inicialmente com timidez; em seguida, desenfreadamente... Depois, exaustos, relembraram os momentos vividos no trem. E ela observou: “não me faça perguntas sobre o passado, por favor...”
    
    Ricardo, timidamente, se encheu de coragem e perguntou se eles poderiam viver juntos, ter filhos, uma casa... E se a diferença de idade seria um obstáculo? Ela o interrompeu colocando a delicada mão em sua boca, acrescentando que “a diferença de idade nada representava mas era muito cedo para uma resposta." Lembrou que às 7h30m deveria estar no trabalho, virou-se e dormiu. Ele vibrou com uma perspectiva positiva e não conseguiu dormir. Seis horas. O modesto hotel não possuía serviço de quarto. Ele olhou aquele corpo franzino, pleno de juventude, beijou-lhe a face e desceu em busca de uma padaria.

    Depois de muito procurar, finalmente encontrou o pastel de cenoura que Saffira tanto desejava. Comprou três e retornou com chá preto bem quentinho para dois. Saffira ficou radiante com os pastéis de cenoura e insistiu para que Ricardo comesse um. Emocionada disse brincando que ele, agora, era o mais novo natureba da paróquia...

   Arrumaram-se e deixaram o hotelzinho. Tomaram o primeiro trem que deixava a estação, e como os passageiros ainda sonolentos, quedaram-se abraçados num banco... Chegando ao final da linha, no centro, antes que Saffira se dirigisse para o trabalho, Ricardo pediu para irem à uma lanchonete. Sentaram e ele pediu uma lata de cerveja que bebeu com indescritível satisfação. Ela o criticou por consumir álcool àquela hora e ouviu a seguinte resposta: “para que se privar de pequenos prazeres? Afinal, a vida é como as rodas de um trem. Nunca está no mesmo lugar...”, observou.

    Ela balançou a cabeça discordando e pediu que ele a levasse até o ponto do ônibus para o trabalho. Eles andaram lentamente e, antes que chegassem no outro lado da rua, um pesado caminhão os atropelou violentamente. Os dois ainda se olharam por segundos e ele balbuciou: “não disse que a vida nunca está no mesmo lugar. Agora ela cede lugar para a morte." Ao que ela responde com um restinho de vida: “o metrô não será mais o mesmo..."

Ah! não esqueça de assinar o abaixo-assinado
CONTRA A MATANÇA DOS
ELEFANTES, essas doces criaturas.

RESERVE 10 SEGUNDOS E UM POUCO D
              BOA VONTADE PARA ACESSAR 
           ESTE LINK.
           Estão assassinando os ELEFANTES. Impeça! assinando o abaixo-assinado.       

                            Acesse AQUI: https://secure.avaaz.org/po/yahoo_ivory_loc_/?toRiibb

VIAGEM NO TEMPO 
PARA ENCONTRAR CABRAL
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

E eles foram encolhendo...encolhendo...encolhendo...


Era um cientista de 35 anos. Obsessivo no que fazia, decidiu que faria uma "Máquina do Tempo". Trabalhou inúmeras noites e madrugadas. De dia cumpria 12 horas no emprego para compensar as folgas dedicadas ao seu projeto. Não se permitia tempo para comer adequadamente...  Estava magérrimo. Depois de anos, numa manhã cinzenta ele concluiu a Máquina. Estava pronta. Reluzindo! Deixou um recado gravado anunciando o fato num canto do laboratório, pegou uma quantidade de comida e refresco desidratados e regulou  a máquina para o século 16. Justo para o dia da chegada de Cabral no Brasil, pois era fascinado pelo feito do navegante português...

A máquina produziu um barulho ensurdecedor e sumiu rumo ao desconhecido. Após uma semana, pousou serenamente. Algo deve ter dado errado, pois estava cercado de carros e edifícios. Do litoral cheio de índios da Era Cabralina, nada!

Camuflou a sua máquina e resolveu perambular pela cidade. De repente, viu-se defronte a uma vitrine espelhada e surpreendeu-se. Havia adquirido uma aparência muito muito mais jovem. Aproximou-se de uma banca de jornal e leu numa capa a seguinte data: 20/10/1914! Viajara cem anos... E rejuvenecera! Murmurou decepcionado: "Que droga! Estou longe do Descobrimento do Brasil." E logo conformou-se,  pois a sua  aparência perdera, pelo menos, uns 10 anos.

Perambulou pela cidade e, vaidoso, notou que chamava a atenção das mulheres...  E acabou parando, aleatoriamente, numa fila de bonde. Meio sem jeito, perguntou à jovem à sua frente que idade ela daria pra ele? Vinte e cinco anos, respondeu a moça com naturalidade. O seu corpo estremeceu e ele observou que o leve grisalho do cabelo desaparecera. E encorajado pela transformação, arriscou um convite: "Podemos passear um pouco?" Ela concordou e eles passearam pela cidade e foram parar num bar. No momento de pagar a conta, surpreendeu-se com a recusa do garçom em aceitar suas notas. Notas de um século depois... Dinheiro totalmente desconhecido.

A jovem pagou a conta e ele foi explicando o inexplicável para uma incrédula ouvinte. Como argumento definitivo, levou-a até a Máquina do Tempo convencendo-a em parte. Ela, numa atitude ousada, pediu para ele acionar a máquina, "para dar uma voltinha..." Como ele tinha esperança de presenciar a aventura Cabralina, não pensou duas vezes e, desta vez, ajustando os comandos e relógios minuciosamente, deu a partida.

E algumas semanas depois, à uma velocidade espantosa, a nave pousou a 250 metros das caravelas. A Máquina do Tempo e as roupas do casal de tripulantes encantaram os índios e maravilharam os portugueses que ficaram mais felizes ainda ao descobrirem que os visitantes falavam português. Logo se tornaram o foco dos olhares perplexos de todos. O litoral paradisíaco, índias e índios nus e portugueses afogados em fofas golas européias, apesar do calor, faziam o contraste com a inusitada Máquina do Tempo.

Ao ser rezada a 1ª Missa, o frade afirmou, em solene sermão, que Deus fez descer um enviado celeste  para coroar o Descobrimento... E todos se curvaram diante da Máquina do Tempo, a esta altura mais importante que a cruz. Mas um fato inesperado ocorreu. Em decorrência do tempo que regrediu os dois tripulantes da Máquina foram rejuvenescendo... rejuvenescendo... E viraram bebês, para a alegria dos índios e a fé dos portugueses!

Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota, escreveu para o Rei de Portugal: - Majestade! Saiba que o nosso esforço foi coroado de sucesso e abençoado por Deus que até enviou uma bola de ferro como presente e dádiva para a Nova Terra... E dois anjinhos lindos que "estão a encolher… a encolher..."



ESTUPRADORES E ESPANCADORES
QUE SE CUIDEM!...
(Artigo publicado em 02/12/2014 no blog "Classificados Grátis e muita Bronca")
                                                   por Ronaldo S. Oliveira


A violência sexual contra as mulheres (leia-se estupro) nasceu com o "descobrimento" do Brasil. Neste primeiro momento os portugueses estupravam as indígenas, até valendo-se da poligamia daquele povo. Com a importação dos escravos negros caçados na África, foi a vez da mulher negra servir à cozinha e à cama do senhor, igualmente estuprada... Durante certo tempo no Brasil, há uns 20 anos, o marido tinha direito de usar o corpo da mulher (mesmo contra a vontade dela); e, há 7 ou 8 anos, no Direito Brasileiro o estuprador que casasse com a estuprada (sua vítima) ou ela casasse com um terceiro estava extinta a punibilidade do crime. Ou seja, arranjando um marido para moça, estava tudo "resolvido".            
                                                  
Então, o ministro Gilmar Mendes, do STF, derrubou esta lei absurda impedindo a extinção da pena, o que foi um grande ganho para o convívio social. Quanto às mulheres espancadas, elas encontram socorro na Lei Maria da Penha que, agora, ganhou um reforço na lei: a mulher espancada que comunicar a agressão à polícia  já não pode retirar a queixa e o marido espancador é obrigado a ficar distante da esposa por 300 metros. De avanço em avanço a felicidade e segurança das mulheres está prosperando. Que o digam as feministas...



OS PONTEIROS
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

O desfile de beleza estava terminando. As concorrentes confraternizavam  com o público quando, de repente, falta energia por cinco minutos. E quando a energia volta, surpresa! Ninguém mais se reconhece. Todos estão com o mesmo rosto. E ninguém observa o fenômeno ou se dá conta de que houve ali um concurso de beleza.

Partem para as suas casas e encontram as ruas cheias de rostos iguais. E tudo segue normalmente. Ao pagar as passagens no metrô, os passageiros não notam que o rosto do funcionário é o mesmo do resto da fila... Os vagões mostram a visão fantástica de uma uniformidade incrível.

Casais de namorados se beijam e se apalpam e ninguém os reprime. Outros casais transam nas praças sem constrangimento. Não há pudor sobre o corpo ou o que dele façam. Não há repressão aos fatos naturais da vida. A violência é banida das televisões. Ausência absoluta de mendigos. A condição de “sem-teto” sequer está na memória. Não há guardas nas ruas e o trânsito não é policiado. Mas o fluxo de veículos segue tranquilamente. Ninguém excede 50 km por hora, pois os veículos já saem das fábricas marcando esta quilometragem como máxima.
        
Os exércitos foram abolidos e a paz paira no ar. Cachorros e gatos circulam serenamente e os pássaros desconhecem as gaiolas. As vacas estão felizes, pois as pessoas se tornaram vegetarianas. Os governos inexistem e a palavra corrupção saiu do dicionário. Os povos se governam em harmonia por comunidades colegiadas, reciclando as lideranças. Não há crianças fora da escola. E todas as famílias possuem a própria casa.  Tudo corre bem…
Triiinnnn!!! Mas o relógio é implacável. E desperta o meu sonho.

DIVINA PROSTITUTA
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
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Ela entra seminua no quarto mal iluminado. Aparentemente, nenhum sinal de vida. Aos poucos, gemidos de satisfação enchem o ambiente. O homem de meia-idade, paraplégico, exulta com a chegada de Ana Clara. Com voz suave, ela o cumprimenta e lhe dá um suave beijo na face. Ela toma a iniciativa  estreitando-o contra si. E inicia uma das sessões programadas para a semana.

Já agora nua, Ana Clara ergue uma das pernas do seu "cliente" (entre aspas por que ela não gosta da palavra "cliente"). Ana Clara prefere a palavra irmãozinho. E é assim que ela trata os seus muitos irmãozinhos. Ela aceita uma oferta mínima pelos seus serviços, quase uma esmola; e se a família não tem recursos, Clarinha - como todos a tratam - nada cobra.

Persegue os passos de São Francisco de Assis , como devota e praticante. Só que, ao invés de repartir o pão, Clarinha reparte o seu corpo. A igreja Católica ao saber disso, passou-lhe uma reprimenda púbica divulgando no jornal a "imoralidade dos atos", no que foi seguida pelos pastores evangélicos…

Ao que Clarinha deu de ombros justificando o que faz como uma obra da mais alta humanidade... E se Deus existe - afirma - estou mais perto dele que estes religiosos hipócritas. E ergue a perna inerte do seu irmãozinho praticando-lhe um delicioso boquete, seguido de uma  estimulante penetração. O que ela consegue cavalgando o parceiro com comovente habilidade.... Após alguns minutos de santificada paciência, o irmãozinho geme de tesão e ejacula.

Clarinha não abandona a cama rapidamente como uma profissional convencional. Ela passa as mãos com suavidade sobre o corpo do parceiro, beija-o pelo rosto, relaxando-o... Só então dá por encerrada a sua missão.

Despede-se e vai ao encontro do familiar do irmãozinho, quando recebe módica compensação; e segue a sua inusitada rotina. Mas há uma conspiração em andamento contra Clarinha. Pastores influentes que dominam - e muito - as consciências das pessoas da pequena cidade do interior determinam uma virada na vida de Clara. Após os cultos, os pastores se deslocam em procissão até à frente da casa dela e passam a hostilizá-la: "Acabem com a Messalina!"; "Basta de Imoralidade!" ; "Esta Mulher Ofende a Deus!"; "As Famílias que Recebem os Serviços de Clara são Impuras!" E o cartaz mais agressivo dizia: "Pro Inferno os Aleijados de Clara!" Só faltava jogá-la numa fogueira. Se bem que alguns fundamentalistas bem que gostariam... Sua casa foi apedrejada e sua saída à rua era um tormento.

Para a tristeza dos seus irmãozinhos, Clarinha teve que parar suas atividades. Eles entraram em depressão e muitas famílias ousaram levá-los, furtivamente, a lugares insuspeitos ao encontro de Clara... Mas também não durou muito. Foram descobertos e a punição foi bárbara: os doentes foram impedidos de sair de casa e Clarinha embarcada, à força, num trem de destino ignorado. A cidadezinha, para a alegria dos pastores, ficou em aparente paz. Os comentários cessaram e os paralíticos, estigmatizados, ficaram trancados em casa…

Passaram-se 4 anos e, súbito, um terremoto devastou a cidade, aleijando parte dos moradores. Penosamente tentavam reconstruir suas casas. O que mais se via nas ruas eram pessoas em cadeiras de rodas. Entre os voluntários que desciam do trem lotado de socorristas e material de sobrevivência, uma figura conhecida: Clarinha pronta para ajudar. De óculos escuros, ninguém a reconheceu.

Enfermeira de recente formação, Clara não descansava. Mas sabe-se-lá como, alguns dos antigos irmãozinhos a reconheceram. E a notícia se propagou. E os tetraplégicos, paraplégicos e feridos terminais reuniram-se no que restou de um templo e decidiram: "vamos chamar Clarinha para diminuir as nossas dores!"

E a aclamaram como Santa Clara dos Desvalidos! E muitos irmãozinhos pediam, discretamente, que ela voltasse à antiga atividade. Clarinha dizia que sentia muito mas deveria voltar para a sua nova cidade dentro de uma semana. Mas que ia pensar... E todas as casas onde houvesse um enfermo ostentava na frente uma cadeira de rodas ou uma muleta iluminada por uma vela.

Durante esta derradeira semana na cidadezinha ela ainda trouxe algum conforto sexual para uns poucos irmãozinhos, especialmente os mais deprimidos. Mas a intolerância religiosa foi rápida. Liderados por pastores enfurecidos, uma multidão fanática raptou Clarinha; agrediram-lhe, raparam-lhe os cabelos, e a jogaram seminua na estação ferroviária. Em volta do seu pescoço penduraram um cartaz onde se lia: "NÃO VOLTE NUNCA MAIS, SATANÁS!"

A notícia se espalhou rápida e a cidade toda logo estava na estação. Uns apoiavam a fúria dos pastores; e outros, temerosos de tomar posição, apenas olhavam o corpo indefeso de Clara. Um menino, de uns 8 anos, piedosamente cobriu o corpo com um pedaço de papelão. Uma chuva fininha foi engrossando mas ninguém arredava pé.

Foi quando surgiu uma coluna de cadeiras de rodas que abriu caminho em direção à Clara. Os cadeirantes acolheram-na com carinho, vestiram-na, ajeitaram o que restava dos seus cabelos e conduziram-na para um vagão do trem. Suplicaram ao maquinista e outros funcionários que a tratassem bem e deixaram uma robusta sopa com a recomendação de que a deixassem repousar até a cidade grande. A locomotiva partiu deixando os participantes da coluna de cadeiras de rodas tristes e cabisbaixos…

A chuva engrossou e as ruas viraram um lamaçal. Muitos voltaram para  reconstruir suas casas. Poucos reconstruiram suas mentes.  A coluna de cadeiras permaneceu durante algum tempo na estação até o trem sumir no horizonte. Uma mulher, entre os cadeirantes, murmurou: "lá vai a verdadeira Santa Clara..."



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O QUE OS BRASILEIROS FAZEM
COM AS MULHERES NEGRAS...?

                                                                              por Ronaldo S. Oliveira

    "Não é pela nudez da Globeleza, tampouco por quem desempenha esse papel. É por conta do confinamento das mulheres negras a lugares específicos." A autora desse pensamento é DJAMILA RIBEIRO, socióloga e feminista negra militante.
                         Djamila prossegue em uma rica observação:
AMulata Globeleza não é um evento cultural natural, mas uma performance que invade o imáginário e as televisões brasileiras na época do Carnaval. Um espetáculo criado pelo diretor de arte Hans Donner para ser o símbolo da festa popular, que exibiu durante 13 anos sua companheira Valéria Valenssa na função superexpositiva de “mulata”. Desde a década de noventa a personagem segue à risca o mesmo roteiro: é sempre uma mulher negra que samba como uma passista, nua com o corpo pintado de purpurina, ao som da vinheta exibida ao longo da programação diária da Rede Globo.
Para começar o debate em torno dessa personagem, precisamos identificar o problema contido no termo “mulata”. A palavra de origem espanhola vem de “mula” ou “mulo”: aquilo que é originário do cruzamento entre espécies. Mulas são animais nascidos do cruzamento dos jumentos com éguas ou dos cavalos com jumentas. Trata-se de uma palavra pejorativa que indica mestiçagem, impureza. Mistura imprópria que não deveria existir.
Empregado desde o período colonial, o termo era usado para designar negros de pele mais clara, frutos do ESTUPRO de escravas pelos senhores de engenho. Tal nomenclatura tem cunho machista e racista e foi transferido à personagem globeleza, naturalizado. É uma memória triste dos 354 anos de escravidão negra no Brasil.
A mulher negra exposta como Globeleza segue, inclusive, um padrão de seleção estética próxima ao feito pelos senhores de engenho ao escolher as mulheres escravizadas que queriam perto de si. As escravas consideradas “bonitas” eram escolhidas para trabalhar na casa-grande. Da mesma forma, eram selecionadas as futuras vítimas de assédio, intimidação e estupro.
Desde o período colonial, mulheres negras são estereotipadas como sendo “quentes”, naturalmente sensuais, sedutoras de homens. Essas classificações, vistas a partir do olhar do colonizador, romantizam o fato de que essas mulheres estavam na condição de escravas e, portanto, eram estupradas e violentadas, ou seja, sua vontade não existia perante seus “senhores”.
Veja só como isso é verdade: em 2015, a Globo trocou a Globeleza Nayara Justino, eleita por voto popular no programa Fantástico, por uma de pele mais clara, a atual Globeleza Érika Moura, escolhida internamente, já que a primeira “não teria se alinhado à proposta”, segundo eles. Reafirmando “o paladar” eurocêntrico de escolher a mulher negra apta para ser exposta como objeto sexual. Em outras palavras, pautados por racismo e machismo (de forma velada para alguns, para nós, muito evidente) selecionam quais padrões de negras vão explorar em suas vinhetas seguindo critérios de pele mais clara, traços considerados mais finos e corpo mais esbelto, porém voluptuoso e luxurioso “tipo exportação”.
Um exemplo dos estigmas que estão colocados sobre os corpos das mulheres negras, e demonstra como funciona a imposição do lugar que devemos ocupar, é o caso da Vênus Hotentote. Seu nome original é Sarah Baartman. Nascida em 1789 na região da África do Sul, ela foi levada, no início do século 19, para a Europa. Sarah Baartman deu um corpo à teoria racista. Ela foi exibida em jaulas, salões e picadeiros por conta de sua anatomia considerada “grotesca, bárbara, exótica”: nádegas volumosas e genitália com grandes lábios (uma caracteristica presente nas mulheres do seu povo, os khoi-san). Seu corpo foi colocado entre a fronteira do que seria uma mulher negra anormal e uma mulher branca normal, a primeira considerada selvagem.
A história de Baartman se passou há séculos, mas esse estigma ainda hoje recai sobre nós, negras. Atualmente vemos um canal influente como a Rede Globo que, por quase 30 anos, expõe mulheres negras nuas a qualquer hora do dia ou da noite no período de Carnaval, negando-se a nos representar para além desse lugar de exploração dos nossos corpos no resto de todo o ano. Quantas mulheres negras vemos como atrizes, apresentadoras, repórteres nas grades das grandes emissoras? 
Não somos protagonistas das novelas — não somos as mocinhas nem as vilãs, no máximo as empregadas que servem de mera ambientação, adereço (inclusive apto ao abuso) para a estória do núcleo familiar branco. Basta lembrar do último papel da grande atriz Zezé Motta na emissora, onde foi a empregada Sebastiana em Boogie Oggie. Em contrapartida, algumas atrizes como Taís Araujo e Camila Pitanga se destacam, mas não podemos fingir que isso não é por serem jovens e negras com pele mais clara. Qual será o destino das atuais atrizes negras brasileiras?
Por isso afirmo: 
AS MULHERES NEGRAS SÃO AS
MULHERES MAIS INFELIZES DO BRASIL
(ainda que a maioria não se dê conta disso...)
 Tente encontrar negras (e negros) na hora do rush na rua da Praia ou qualquer outro local aglomerado de pessoas saindo do trabalho, mesmo que elas sejam educadas profissionalmente? O mercado vira as costas para elas.

O dissimulado racismo brasileiro tritura as negras inclusive no seu difícel relacionamento amoroso. Os negros disponíveis as querem apenas para sexo, com as exceções de praxe.  Para casar eles preferem as "mulatinhas"... Com brancos, nem se fala, é mais que um tabu. Pouquíssimos relacionamentos acontecem. E encontram sempre a resistência da família do ousado rapaz...


As poucas que ingressam na universidade ficam à deriva. Sofrem ao compararem seus cabelos com as cabeleiras lisas das suas colegas brancas ou seus narizes não afilados. Por não assumir a existência de uma beleza negra, sua baixa estima aumenta e as torna - não é raro - "ponte" de encontros de suas coleguinhas com rapazes brancos. Sobra pra elas rapazes negros de baixa qualificação que quase sempre terão de sustentar ao se formarem. Não é de se criticar porque muitas "esnobam" candidatos negros...  Já os jogadores negros ou os cantores negros famosos e, ainda, os negros egressos da universidade nada querem com elas... Resta-lhes o sofrimento na "democracia racial brasileira"...


Já o carnaval, levado às alturas no mundo inteiro por negras e negros, é o único momento de exaltação. Aliás, há muito explorado pelos brancos... Mas dura pouco. No resto do ano é a rotina dos piores empregos... Educação interrompida... Sonhos desfeitos... Que tal se seguíssemos o exemplo dos negros americanos? Eles perguntam aos Pelés da vida e ao notável ministro Joaquim Barbosa (agora com uma branca a tiracolo) se no Brasil não há negras? Enfim, os negros americanos há muito descobriram que o negro é lindo!

A propósito, durante o governo Bush, o presidente
americano indagou do presidente  Fernando Henrique Cardoso, em visita aos EUA, se no no Brasil não havia negros ao não avistar nenhum na Embaixada Brasileira? FHC ficou numa saia-justa...

Bush falava com a propriedade de ter em seu governo o negro Colin Power (chefe-supremo das Forças Armadas) e a negra Condoleza Rice (chefe das Relações Exteriores). E hoje eles têm um presidente negro, reeleito, Barak Obama. E aí, Brasil? Quem é racista? E aí

 FÉ E UM 
       CERTO SORRISO...
                                                    conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

   Era convictamente um cara sem fé. Decididamente sem fé. Mas sábado à tarde um sorriso iluminou a sua alma. Aliás, nem em alma ele acreditava. Achava o Senhor injusto e nada misericordioso; e lembrava uma passagem da Bíblia em que o Senhor condenava Eva e Adão pelo pecadinho de haverem comido o fruto proibido. Mas pera lá, se o Senhor é onisciente (sabe de tudo...) por que armar a armadilha do fruto proibido? Sentença nada bondosa, para um Deus de luz, que determinou para os homens "comerem o pão com o suor do seu rosto" e as mulheres, para sempre, "terem filhos com dor". Sentenças malévolas, indignas do "amadíssimo Criador".

   O que, ironicamente, não se cumpriu, pois as mulheres, hoje, graças à Medicina, via analgésicos, têm parto sem dor. E somente os trabalhadores "comem o pão com o suor do rosto", pois outros homens, os ricos, comem o pão (e o caviar) com o suor dos trabalhadores... Logo, a condenação do Senhor não se cumpriu.

   Ele ia mais longe: todas as guerras do Velho Testamento e o famoso "olho por olho; dente por dente" podiam ser substítuidos por um ato de ternura do Senhor que, se quisesse, simplesmente poderia banir toda a violência da face da Terra. E os banhos de sangue acabariam... Nem haveria necessidade de "livre arbítrio", pois as escolhas do Senhor seriam de plena bondade até os nossos dias! E, assim, a sentença seria transformada em "bondade por bondade em dobro"...

   Já no Novo Testamento, Cristo dá um belo presente para a humanidade no exemplar conteúdo do "Sermão da Montanha." Mas numa passagem bíblica Jesus se mostra intolerante e até ignorante quando, na companhia dos apóstolos, sente fome e, ao avistar uma figueira segue em sua direção e se decepciona ao não encontrar nenhum fruto na árvore. E, por isso, a amaldiçoa praguejando para que daquela figueira nunca mais nasça um fruto. Pedro intervem e observa: "mestre, olha o que fizeste, a figueira ficou seca." E Pedro ainda observa: "mestre, esta não era época de frutos, por isso não havia nenhum deles..."

    E noutra ocasião, ainda segundo a Bíblia, "para expulsar demônios, Cristo os colocou dentro de porcos saracenos e os fez rolar ribanceira abaixo os projetando num rio afundando-os e arrastando os demônios com os porcos." O que foi uma crueldade com os animais. Racionalmente, dá para perceber que Jesus estava muito
abaixo de Buda e Platão em termos éticos e de sabedoria...

   Por outro lado, convém não esquecer que o Cristianismo concebeu a idéia precursora da inviolabilidade do indivíduo, do ser humano, dizendo "não aos maus tratos e à tortura" algo impensável na Antiguidade.

   Mas quem era ele para discutir estas "dúvidas definitivas"? Apenas lia a Bíblia criticamente... Mas papai-do-céu não deve ter ficado brabo por ele tê-Lo criticado tão francamente. Afinal, a Bíblia foi escrita há milhares de anos por homens ignorantes e
de interesses discutíveis. De "homens" sim; porque as mulheres raríssimamente são protagonistas no duvidoso livro. O que torna, sem dúvida, as suas páginas responsáveis pelo machismo...

   Mas voltemos ao doce sorriso com que ele foi brindado pela meiga e inteligente Valquíria, estudante de música. Talvez compareça à "Marcha da fé" dia 21, convidado por ela. Não com o propósito de curar a perna que submete à hidroginástica e fisioterapia (acha inútil... e falta-lhe fé). Ele pede, então, que Valquíria coloque fé na sua vida. Mas não o convide para frequentar magníficos templos; pois Cristo não frequentava templos. Exceto quando Ele distribuiu chibatadas nos vendilhões que lá ganhavam dinheiro. Imagina-se, hoje, as chibatadas que Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares, Valdemiro Santigo e Marco Feliciano levariam? 

Atualmente, a velha e solene procissão é substituída pela telinha da tv e cada um gerencia o seu próprio céu, conforme as suas conveniências. Parte da classe média, mais culta, se entrega à terapia e o psicólogo faz a vez do "divino". Os católicos, mais conservadores, são submetidos à difíceis e repetitivas penitências. Já para os evangélicos é mais fácil: eles dizem que todo o pecado vem por alguém "não aceitar Jesus". E mesmo que a pessoa tenha cometido crimes (os mais bárbaros), é só "aceitar Jesus" e o pecador zera completamente as suas faltas! Não é por acaso que muitos bandidos, logo ao chegar no presidio, conseguem uma Bíblia e procuram o "conforto" de um pastor evangélico...

Enfim, nestes tempos de dias incertos, nada mais vendável do que o produto religião que promete curar todos os males, conquistar dinheiro e amor aos convertidos; um hipermercado da fé onde os "pastores" neopentecostais constroem fortunas...

  O cara sem fé só não pode devolver o sorriso com outro sorriso porque isso é impossível para quem nasceu com a cara amarrada. Talvez compareça para ser iluminado novamente pelo sorriso de Valquíria. E pensa, com uma vaga esperança: "isto é realmente maravilhoso minha amiga! Celebremos a mais linda amizade..."


ELAS TINHAM
CABELOS VERDES 
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

Em diversas cidades do mundo o fenômeno é o mesmo. Bebês recém nascidos são encontrados dentro de caixas de papelão à beira de estabelecimentos comerciais. Uma curiosidade: eles não têm genitálias. Nem qualquer orifício por onde possa sair fezes ou urina. Cirurgiões tentam fazer uma abertura para a saída dos dejetos e têm uma surpresa: sempre que os bebês querem fazer alguma necessidade, uma abertura se abre na sola dos pés. Outra particularidade: as criaturas têm cabelos verdes. E todas falam e andam precocemente. Mais tarde, pelas suas feições, os cientistas definem estas crianças como meninas.

A comunidade científica  não sabe o que fazer. São 200 espalhadas pelo mundo. Outra curiosidade: a África tem o maior número delas. E aprendem 100 vezes mais rapidamente do que as crianças normais. Elas rapidamente chegam às melhores universidades, onde são disputadíssimas...

Observou-se que elas possuem uma voz fina e meiga, e quando em situação de risco se torna absolutamente estridente, passando dos 200 decibéis. Já adultas, evitam qualquer contato amoroso com homens normais e têm o poder de auto-engravidarem-se. Este ato é secretíssimo mas, a muito custo, descobre-se que isso ocorre num ritual mental. E por dominarem o conhecimento de modo brilhante, assumem os melhores cargos em qualquer empresa, inclusive em postos de governo e alguns comandos militares...

Um antropólogo, observador atento, inicia uma pesquisa minuciosa das estranhas criaturas. E verifica que os fetos produzidos pela auto-gravidês recebem grande parte do conhecimento disponível ainda no útero. A gestação também é rápida, de apenas três meses. Outra coisa: aparentemente dóceis e meigas, se provocadas demonstram uma agressividade incontrolável.

Com esses dados, um antropólogo chega à conclusão de que  a humanidade está diante de gravíssima ameaça. E faz um longo relatório, escondendo uma cópia com a sua namorada. Depois, dirige-se ao Alto Comando das Forças Armadas e entrega o documento original. No retorno seu carro é fechado numa sinaleira e ele é levado para local ignorado. Lá tentam persuadí-lo a revelar o que continha o documento. Ele não revela. Depois, não aguentando mais a pressão, confessa de forma errada. Uma das criaturas, então, inicialmente dócil, impacienta-se e com voz estridente penetra-lhe o cérebro arrancando-lhe todas as informações que desejam.

Um grupo do que já se convencionou chamar de alienígenas vai ao Alto Comando e exige o relatório. Os poucos militares que têm acesso ao documento recusam-se a colaborar e são dominados tendo de entregá-lo. Depois, por um processo cerebral, elas fazem eles esquecerem de tudo assim como aconteceu com o antropólogo.

Mas algo incrível acontece. O cientista contara para a namorada o desespero que as criaturas sentem quando suas cabeleiras são tocadas por uma simples caspa ou piolho. A moça, munida desta informação, mostra a cópia do relatório às Forças Armadas e a história da aversão das alienígenas aos piolhos e caspas. O Alto Comando repassa a informação para a ONU que instrui os exércitos das nações ocupadas pelas criaturas. E, armados com simples bombas de fumegação, para o desespero das alienágenas, aspergem milhares de litros de caspa e piolhos concentrados em seus cabelos. E, então, em desesperada agonia elas dilaceraram suas cabeças de tanto coçá-las com suas insuspeitadas garras. E, assim, a humanidade se livra  de uma inevitável subjugação...


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ESTE ARTIGO NÃO É EXATAMENTE UM CONTO. MAS ESTÁ AÍ PARA ALERTAR AS PESSOAS SOBRE O MALEFÍCIO DOS QUE MANIPULAM A RELIGIÃO. DOS "PASTORES" QUE FAZEM FORTUNAS ÀS CUSTAS DA FÉ DE MILHÕES DE INCAUTOS. ESTA MATÉRIA NÃO DESEJA AFASTAR A CRENÇA NO CRISTIANISMO; O OBJETIVO É APONTAR AOS DESAVISADOS OS ESTELIONATÁRIOS DA FÉ.

ACORDE, CRENTE! O DÍZIMO 
NÃO ESTÁ NA BÍBLIA COMO
OS PASTORES EM BUSCA DO SEU DINHEIRO FAZEM CRER.
por Ronaldo S. Oliveira

Rebanho de ovelhas à semelhança de crentes acreditando em falsas expectativas.

A Biblia informa: são 4 os Cavaleiros do Apocalípse. Mas, no Brasil, pode-se contar seguramente cinco: Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, R. R. Soares e, o recente cavaleiro, Marco Feliciano. Eles têm em comum carisma e um grande poder de convencimento. Não exatamente para o bem. Com pilantragem e muita patifaria todos são milionários e sua virtude principal consiste em tomar grana dos incautos, vendendo a ilusão de um lugar no céu, valendo-se de uma falsa postura cristã.

Mas o que é que isto tem a ver com o dízimo? Tudo, já que esses cinco estelionatários constroem as suas fortunas vindas do controverso conceito desta palavra. Segundo a Biblia, o dízimo é fundamentado em Malaquias 03: 06 a 12, onde o profeta diz: "(...) E por causa de vós, referindo-se aos sacerdotes de Israel, que não repassavam os 10% habituais da colheita, unicamente para os levitas, completamente despossuidos de terras, e não para as pessoas de outras regiões ou outros países. Daí o sentido etimológico da palavram dízimo: dizimar a fome dos levitas, que não tinham terras; ofertando-lhes 10% da colheita. Nunca dinheiro como fazem crer os pastores aproveitadores da ignorância dos crentes. E só para aquela região. Repetindo Malaquias O3: 06 a 12: "É por causa de vós (os sacerdotes) que não repassam os 10% da colheita para os necessitados que repreenderei o gafanhoto, metáfora dirigida àqueles que tudo devoram, isto é os sacerdotes... Hoje, seriam os pastores neo-pentecostais.

Quer dizer, a Bíblia não menciona em nenhum momento que o costume  dos 10% deveria ser estendido para todos os cristãos. O hábito  foi aproveitado pelas igrejas oportunistas que vão faturando enquanto os crentes não lêem a Bíblia com a devida atenção.

Mais uma perguntinha aos crentes: você acha que o pastor é um ser "especial" diante de Deus, sabendo que ele toma dinheiro dos fiés e compra fazendas, carrões, emissoras de TV, apartamentos de luxo; não poupando sequer os desempregados. Em verdade, esses "pastores" são lobos em pele de carneiros.

        VEJAMOS, AGORA, 
OS 5 CAVALEIROS DO APOCALIPSE. 
! NÃO ERAM QUATRO? 
DÁ LICENÇA, ENTROU MAIS UM NFARRA DOS PASTORES!

Edir Macedo, o empresário da fé mais bem sucedido de todos, intitula-se "bispo". Como se sabe, bispo é a figura religiosa que "conduz" seus seguidores. Mas o que Edir Macedo conduz com incrível inventividade é grana para o seu imenso patrimônio; sendo apontado pela revista Forbes, o Ministério Público Brasileiro e a Polícia Federal o "empresário religioso" mais rico do Brasil (o título empresário da fé foi cunhado pela revista).Seu patrimônio: US 950 milhões (de dólares, isento de impostos, por ser "igreja"!). Fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, seu império não pára de crescer. Dono da comercialíssima Rede Record de Televisão (diga-se comercialíssima porque a rede foi criada para veicular conteúdo religioso e não é isso que se vê), criou o mega Templo de Salomão ao custo de R$ 680 milhões, dinheiro que resgatará rapidamente com os "dízimos obrigatórios"; uma forma mentirosa de '"interpretar" a Bíblia.  E que o “bispo” e as dezenas de pastores que o seguem convencem as pessoas a "contribuir" para a igreja tudo que ganharem: salário, venda de uma casa ou um carro, prêmio na loteria e até dinheiro achado no chão!

Para tanta enganação impune, a Universal conta com milhares de obreiros inocentes espalhados em centenas de templos em todo o Brasil e em muitos países. Vale-se de promessas milagreiras oferecendo "água santa do rio Jordão"; milagres em shows televisivos de cadeirantes voltando a caminhar; mas não ousam fazer um amputado recuperar uma perna ou um braço perdidos.

Um detalhe: a Universal funciona 24 horas, como uma fábrica de automóveis. Não pára. Outro detalhe: as filiais proliferam mais que pontos de jogos de bicho, majoritoriamente em bairros pobres. Por que elas não florescem em bairros de classe média ou de alta classe média? Questão de educação, inegavelmente.

E o que mais estarrece é o apoio descarado que o governo, leia-se PT, dá a esta organização travestida de religião. A ponto de a presidente Dilma, e seu alto escalão, prestigiar com a sua presença a inauguração do Templo de Salomão (vide foto). Sem dúvida, uma expressiva colheita de votos...

Dilma, vendendo a alma ao Deus Dinheiro em troca dos votos da Universal.

                                           "FORTUNAS MENORES"

Silas Malafaia é o segundo cavaleiro mais importante; especialmente porque é o mais culto. Um intelectual de fato. Mas, ao invés de dedicar o seu conhecimentio positivamente, o faz para tomar grana dos desavisados em nome de Jesus. O "pastor" Silas, como observou o comentarista Ricardo Boechat, diz que a origem da sua fortuna decorre da venda de livros e "palestras" - o mesmo discurso de Lula para justificar a sua repentina riquezamas na realidade, grande parte do dinheiro vem da sua igreja Vitória em Cristo que, paradoxalmente, em programa de TV ele afirmou que a denominação está registrada em cartório! Agora, imagine Cristo registrando o Cristianismo em cartório! Seu patrimônio, segundo a revista Forbes e o Ministério Público é de US 150 milhões (de dólares, sem pagar imposto!)

À parte seus pulinhos ridículos, Silas deve passar grande parte do seu tempo conferindo os processos contra aqueles que ele processa. Especialmente Ricardo Boechat, comentarista da tv Bandeirantes, que "não dá palanque pra ele e ainda o mandou "procurar uma rola", para a delícia da Internet. Outros possíveis processados são os  Pastor Arnaldo e o Pastor Adélio que ridicularizam todos os picaretas evangélicos em impagáveis vídeos na Internet. Malafaia e os seus seguidores deveriam ler, com redobrada atenção, a passagem em que narra os Vendilhões do Templo e as chicotadas que  Cristo lhes aplicou.

 R.R.Soares, Valdemiro Santiago e Marco Feliciano formam os três últimos cavaleiros; não menos importantes. Para não alongar esse texto, deixemos claro que os três "pastores" usam as mesmas práticas de Edir Macedo e Silas Malafaia. São concorrentes entre si. Todos anti-cristãos, com uma variável mínima.

Valdemiro Santiago, o segundo mais rico tem um patrimônio avaliado em 
US 220 milhões (de dólares, igualmente isento de impostos!)

R.R.Soares sonha com um canal de tv para a sua Igreja da Graça, para o quê não poupa esforços. Em sua pregação pela tv, com gestos comedidos e fala grave, é, talvez, o mais carismático pois aparenta absoluta "sinceridade". Vende um livreto por R$ 3,00 onde deturpa o dízimo exaustivamente.
E segundo o Ministério Público Brasileiro, a Polícia Federal e a respeitável revista FORBES, sua fortuna é a quarta entre os grandes milionários da rendosa indústria da fé. Seu patrimônio: US 125 milhões (de dólares, também isento de impostos por ser "igreja"!)

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O difícil de acreditar é que algumas pessoas "cultas" da classe média colaborem com tanta enganação. E mais difícil, ainda, é crer que essas pessoas - algumas até se dizem "racionais"- acreditem que esses milionários possam "representar" Cristo e os seus ideais de fraternidade e de igualdade entre os povos! Agora, imagine-se as pessoas pobres e sem instrução, vítimas fáceis desses estelionatários da fé?

Valdemiro Santiago briga com Marco Feliciano para ver quem é mais ridículo. Mas acredita-se que Valdemiro ganha fácil. Especialmente quando chora, copiosamente, na TV.  E Marco Feliciano é, desmedidamente, o mais irresponsável falastrão. Especialmente quando afirmou que John Lenon  mereceu os tres tiros que o assassinou por ter dito que os "Beatles eram mais populares que Jesus Cristo." Além de ser um reacionário completo, sendo contra a legalização do aborto; contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, já amparado por lei; saia curta para as mulheres... 
                   Enfim, todos merecem as chicotadas de Cristo.  



A LONGA NOITE 
DOS MENDIGOS
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

Era uma pracinha aparentemente calma. Mal cuidada. Com arbustos e plantas elevados a mais de 2 metros. Suficientes para esconder uma pessoa. No caso, muitas pessoas. Eram cinco mendigos que faziam dali a sua morada numa precária cabana. Noite de sábado. O dia mais esperado por eles. 9h45m e nada. Todos apreensivos...                                         
                                                      
Do outro lado da cidade - a parte rica - cinco mulheres de classe média alta preparam-se para sair. Uma delas ainda encontra obstáculo para a saída. O marido questiona muito para aonde ela vai todos os sábados às 22 horas? Uma das amigas sugere o seguinte: "diga-lhe que você, com as suas amigas, todos os sábados prestam caridade aos sem-teto. E que esta tarefa meritória se estende até às 23h30m." O marido desconfiado acreditou.

Estavam todas livres para “Caridade Semanal", como elas denominavam aqueles sábados. Na pracinha dos mendigos, um alvoroço: cada qual se enfeitava como podia. Banhavam-se na pequena fonte de água limosa esverdeada onde também escovavam os dentes apodrecidos. E a barba, a parte mais sofrida, era feita com aparelhos rombudos encontrados no lixo... Enfim, todos prontos. Ou quase; ainda faltava estender os encardidos lençóis na grama cuidadosamente preparada para a ocasião. Agora, esperavam... esperavam...

De repente, faróis iluminam um trecho da pracinha e logo se apagam. Descem cinco vultos mal delineados pela ausência de iluminação. Mas isto não é obstáculo para os mendigos que logo reconhecem suas voluntárias presas. Cada um apossa-se de sua dama da Caridade Semanal e rolam, enlouquecidos, pelos  lençóis... Elas apenas sussuram evitando um barulho maior para não chamar a atenção. Mas os sussurros e os movimentos libidinosos que lhes falta em casa sacodem arbustos e plantas como um temporal...

Finalmente, caem prostradas e satisfeitas. Recompõe-se e, agradecidas, deixam uma generosa esmola para cada um. Entram no carro, e de farol apagado, saem cuidadosamente rumo à estrada. Uma delas comenta: "cumprimos com êxito mais uma Caridade Semanal." E aceleram até o próximo sábado.




                               SULCOS & RUGAS
                                                                                  conto registrado por Ronaldo S. Oliveira    

                         
Ele era um cara feioso. Desses que nenhuma mulher queria olhar. Por que existe a feiúra no mundo, perguntava-se? Conseguia relacionar-se sexualmente apenas com prostitutas.  E ainda elas faziam comentários zombeteiros... Ele não aguentava mais tanta discriminação…

Resolveu, então, lançar seu olhar para as mulheres velhas. E viu que estava dando certo. A maior quantidade de sulcos e rugas tornavam as mulheres mais receptíveis. E ele acostumou-se com este relacionamento. Virou um vício.

E a felicidade estava estampada no seu rosto e nas mulheres que com ele tinham relações. E não eram só relações sexuais. Eram, sobretudo, afetivas. Antes de penetrar neste universo, ele tinha aversão às rugas e considerava os sulcos verdadeiras feridas. Mas foi mudando de conceito e passou a contemplar os sulcos como minúsculos rios de onde vertiam lágrimas. E rugas como plácidas planícies com leves acidentes...

E os familiares e os poucos amigos indagavam-lhe de onde vinha tanta felicidade? Ele respondia com naturalidade que "surgia de sulcos e rugas". E que estavam à disposição de qualquer um que abandonasse os preconceitos contra a velhice. E afirmava: "a velhice é bela"! Os conceitos dele caiu na boca do bairro até que uma equipe de tv foi fazer uma reportagem sobre o precário saneamento da região. E ficou sabendo da existência do homem-feio que adorava sulcos e rugas. Não deu outra. A história foi para a tv e logo se tornou viral na internet.

A idéia se espalhou de tal maneira que do bairro ganhou a cidade; o estado e o país inteiro. Logo logo a publicidade entrou em ação. E propagava produtos que prometiam "os mais belos sulcos e as mais sensuais rugas". A idéia chegou ao exterior e o homem feio teve a agenda lotada por entrevistas de rádio, jornal e tv. E logo virou exemplo de homem sedutor, protagonizando exemplo de conquistas de rugas e sulcos...

O mais surpreendente foi a virada na medicina estética. Os consultórios dos cirurgiões plásticos ganharam uma ávida clientela de mulheres (e de homens) em busca de rugas e sulcos... A beleza tradicional caiu em desuso cedendo espaço para as novas beldades. E os salões de beleza, antes preocupados em esconder sulcos e rugas, agora faziam o maior esforço para ressaltá-los.

Certo dia o homem-feio deparou-se com uma jovem de antiga beleza que disparou a seguinte pergunta: “vamos sair pela noite? Não te custará nada..." Ao que o homem-feio respondeu secamente: "coloque uns sulcos e rugas na cara e conversaremos..."

A VIDA
NÃO TEM FUTURO
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

 
Regina adormecera sobre a bancada do computador. Às 7 horas da manhã sua mãe lhe trouxe o café com um belo sanduiche. Regina olhou olhou e nada bebeu ou comeu. Olhos fixos na tela do micro, ainda ligado, assim prosseguiu por horas. No almoço nem olhou o prato. A mãe e os irmãos notaram, ainda, que ela se entusiasmava quando havia propaganda de bebidas e comida na tela... E ela parecia se satisfazer…

E assim passaram os dias, as semanas, os meses, os anos...  Regina sempre com aparência sadia não desgrudava da tela. E quando lhe tiravam, à força, ela desfalecia e seus sinais vitais iam ao nível mais baixo. Chamaram um médico e ele não obteve qualquer diagnóstico. A mãe, por intuição, a reconduzia para o computador. E a jovem voltava à vida. A máquina nunca mais foi desligada...  Certa vez quando faltou energia, Regina desmaiou imediatamente. E só se restabeleceu com o retorno da força. Providenciou-se uma bateria potente para que não ocorresse nova falha.

O caso chamou a atenção da comunidade científica e Regina foi transferida para um moderno laboratório onde lhe deram um super computador. A máquina em nada lhe mudou os hábitos alimentares. Mas como possuia um vasto programa científico, especialmente de física e matemática, isto aguçou o interesse da jovem. Aliás, não tão jovem assim. Ela já passara dos 40 anos e continuava com o rostinho de menina. Este fato chamava a atenção... E as habilidades que Regina desenvolveu com a matemática e, especialmente, a física foram espantosas. Ela fazia diagramas de descobertas alarmantes.  E um fato continuava intrigante: se "desaclopada" do computador ela desfalecia mas conservava intacta  a memória do que aprendera.

Levaram-na aos mais importantes simpósios, inclusive à NASA, e ela ministrava o seu conhecimento através de um telão, por escrito. Pois não dizia uma palavra. Seus olhos não mostravam expressão alguma. Mas era uma celebridade. Tornou-se visitante das mais importantes universidades do mundo. E chegou a ser alvo de um sequestro fracassado por parte de uma potência internacional... Sua segurança foi redobrada e seu livro mais famoso, "A Vida Não Tem Futuro", vendeu milhões de exemplares tornando sua família muito rica. Mas eis que um cientista muito ligado às atividades dela descobriu algo novo: Regina estava amando... Ou assim parecia. Ela ficava radiante quando surgia na tela a imagem de um rapaz humilde, negro, originado de uma publicidade onde ele aparecia empurrando um carrinho de supermercado para um casal que o aguardava na porta do carro. Ela salvara esta cena e a repetia incansavelmente.

E revelou no seu diário íntimo a seguinte frase: "Que cor bonita ele tem! É todo ternura... Como será a vida dele quando larga o carrinho?" E tentou, em vão, perseguir a rotina do carregador. O cientista que a observava criou, então, um holograma fiel do entregador o que emocionou muito Regina... Ela ficou encantada e, certa madrugada, na companhia do holograma deixou o computador pela primeira vez.  E andaram por todo o laboratório. Ligou um aparelho de som que tocou a valsa Danúbio Azul repetidas vezes e bailou graciosamente com o holograma. Dançou... Dançou... e caiu exausta. De manhã, quando abriram o laboratório,  encontraram Regina desfalecida e não conseguiram reanimá-la. O holograma estava curvado sobre ela como que desolado. Ela estava morta e com o rosto irreconhecível. Incrivelmente enrugado. Encarquilhado, com o peso de 165 anos.                          

UM MORTO PRECAVIDO,
MAS NEM TANTO
conto registrado por Ronaldo S.Oliveira

Por toda a vida Alfredo provou ser um cara precavido. Até demais. Embora jovem, não havia passado dos 40,  possuía dois seguros por morte. Para proteger a família, dizia. Mas o exagero maior ele cometeu três meses antes da sua morte. Morte, aliás, provocada por um detalhe.

Alfredo tinha pavor de ser enterrado vivo. Leu tudo sobre doenças que deixavam as pessoas desacordadas, como mortas, para ressuscitar depois. Fez, então, inúmeras experiências com potentes celulares que pudessem, em suas ligações, ultrapassar quaisquer barreiras: túneis, subsolos, morros, banheiros de parede dupla, minas profundíssimas, etc. Tudo para pedir socorro. E um dos aparelhos - modelo japonês ultramoderno - passou em todos os testes.
O segundo passo foi a construção do caixão, confortavelmente acolchoado e provido de um pequeno sistema de ar-condicionado. E mais: provisão de alimentos desidratados, desses que os astronautas usam (para um mês); reserva de água, oxigênio e lanterna com pilhas “intermináveis”... Enfim, algo bem planejado. Pra nenhuma morte botar defeito.
Resumindo, a tal da "Síndrome da Falsa Morte" aconteceu. Alguém sugeriu a doação dos órgãos de Alfredo, que tudo ouvia mas estava inerte, estremeceu! Nãooo façam isso! Pensou inutilmente... Mas a idéia logo foi afastada apostando na crença da ressureição de Alfredo e em socorrer-se das providências por ele elaboradas...
A missa foi de corpo-presente e Alfredo gostou das palavras do padre, menos quando o sacerdote disse: "segue em paz para os braços do Senhor, meu filho!" Alfredo tentou se mexer, mas não conseguia falar um ai! No cemitério, suportou mais uma churumela de discursos. Foram cinco, fora a fala do padre. "Quanta mentira! Não fui tão bonzinho assim." Irritou-se, terrivelmente, quando sua mulher discursou, em lágrimas, sendo amparada pelo vizinho Joaquim - que ele sempre desconfiou estar de olho em Josefina... Canalha!, pensou... O pior foi aguentar o discurso da sogra ("aquela jararaca!") que sempre o infernizou...
Finalmente, baixaram o caixão. Ele exultou quando ouviu de um dos coveiros que o cimento acabara. Isto é ótimo, "quanto mais tempo eu estiver na superfície melhor, pois posso ressuscitar e nem preciso usar o celular. Meto o pé na tampa do caixão e volto à vida..." Mas não foi assim. O cimento foi logo providenciado e Alfredo foi engolido por sete palmos de terra...
Passaram-se cinco, seis horas e Alfredo continuava inerte entregue à "Síndrome da Falsa Morte". Mas eis que a síndrome acaba! Que alívio!!! Alfredo toca no seu corpo para certificar-se de que estava vivo; come um pouco da comida desidratada (pois a fome era muita); bebe um suco esquisito, cuja fórmula disseram-lhe pertencer à NASA. E preparou-se para telefonar.
Tentou. Tentou. Tentou. E nada. Já preocupado, ligou para todos os amigos e para polícia. Igualmente NADA. Começou a se preocupar. Acendeu o isqueiro, pois  a energia da lanterna acabara. Desesperou-se! O oxigênio já estava rarefeito... No mesmo momento, na superfície, os noticiários de rádio e tv anunciavam que finalmente haviam inventado um sistema altamente confiável que impedia, de modo definitivo, as ligações de celulares para fora dos muros das prisões...
E o cemitério estava localizado exatamente no lado da penitenciária que adotou o eficaz sistema. E ALFREDO DEFINITIVAMENTE MORREU.


FRANJINHA
conto autobiográfico de Ronaldo S. Oliveira
 
Franjinha parecida com a da atriz Anne Hathaway
Fim da tarde na  Praça da Alfândega, Porto Alegre. Começa a chover fininho. Eles se conheceram da maneira mais imprevisível. Ela perguntou-lhe onde ficava a Casa de Cultura Mário Quintana e ele apontou para dois quarteirões. E, em seguida, fez-lhe uma sugestão; ou mais precisamente a dica de um filme, "As Mulheres do 6º Andar." Ela o interrompeu: "Acho interessante mas sou turista, estou a passeio, mas prometo assistir pela internet. Como é mesmo o seu nome?" " Ronaldo e o seu?"  " Iara, de São Paulo, e estou louca pra conhecer Gramado para onde viajarei amanhã..."  

Ele a levou à Casa  de Cultura Mário Quintana e ela ficou maravilhada com o prédio néo-clássico, as exposições, as salas de cinema todas com filmes de qualidade mas que, infelizmente, as sessões já haviam começado. Bateu muitas fotos com um tablet e pediu que ele registrasse uma ao lado do poeta Mário Quintana que olhava semi-risonho de um pedestal de muita simplicidade.  Foram belos momentos. Finalmente, sairam e sentaram-se num dos muitos barzinhos da Rua da Praia bem pertinho da Casa de Cultura. Foi aí que ele apelidou-a de "Franjinha", inspirado na graciosa franja que teimava cair sobre os seus olhos muito meigos. Ela gostou do apelido e prometeu conservá-lo. Possuia um bom emprego, era culta e casada com um homem de 50 anos, com 2 filhos e nada ciumento....  Não quisera filhos, e optou por viajar sempre no período de férias. Conhecera Santa Catarina, Curitiba, um pedacinho do Nordeste, Manaus e breve quer ir à Bahia, ao Uruguai e ao Chile. Se bem que o sonho mesmo é curtir a Turquia e a Grécia. Paris, Londres ou os EUA nem pensar... Prefere países bases da civilização.  Tão embevecido ele estava com aquele breve relacionamento que nem perguntou pela sua profissão. Agora, ele tem um palpite: psicóloga ou antropóloga.

A "saideira" foi num gracioso barzinho no alto do viaduto da avenida Borges de Medeiros, onde comeram um delicioso feijãozinho (especialidade do bar). E deixaram seus nomes num livro oferecido pela casa. Lá está até hoje: "Franjinha & Ronaldo passaram por aqui"

Ele, vivendo um relacionamento cordial com uma mulher com quem não faz sexo há 3 anos (ela sofre de uma síndrome que nega o sexo). Vivem em quartos separados como "irmãozinhos" e tem 3 filhas adultas. Pelo celular colocou Franjinha em contato com uma das filhas que terminara de ser aprovada no vestibular. Ela a felicitou e incentivou-a muito. Depois, passearam passearam e conversaram com muitas pessoas nas ruas que ela achou muito espontâneas.

Ela era magrinha, sem maquiagem ou tatuagem aparentes e não era exatamente bonita. Mas o jeito manso de se expressar, o papo agradável sem afetação e a franjinha tocando insistentemente os olhos muito negros a fazia encantadora. Fora dos padrões…

Ele ainda mancava a perna direita por conta de um AVC que tivera. Estava precocemente aposentado e fazia fisioterapia e hidroginástica com obstinada aplicação. Usava uma bengala discreta, de junco, idêntica à dos exploradores ingleses dos filmes onde os britânicos metiam o pé. E era um homem relativamente feliz escrevendo ficção. E textos como free lancer…

Por constrangimento ou timidêz ele ocultava que a queria, também, na cama. Mesmo que não houvesse sexo... Apenas que ficassem lado a lado olhando para o teto do hotel. Eram 22 horas. Ela tinha exatos 30 minutos para voltar ao  hotel e tomar o ônibus. Despediram-se e ela partiu, apressadamente, sem saber que poderia ter presenteado este homem solitário com algum momento de afeto apenas olhando para o teto...



                           PALAVRAS
                                              conto registrado por Ronaldo S. Oliveira

    Escolheu  ao acaso uma foto no facebook.  Clicou  justamente  uma que tinha o desenho de uma pomba e não de uma figura humana. Abaixo do desenho, apenas o nome Jaqueline.  Ele não tinha preconceito de beleza  ou qualquer outro preconceito. Não exigiu uma foto de Jaqueline.  E começaram a se corresponder. Tornaram-se confidentes  seis  dias por semana. Um diazinho  livre para repensar o que comentaram... Falavam de tudo: felicidade  e tristeza  de cada um. Ele também jamais enviou uma foto. Iam se identificando cada vez mais, só por palavras. Ambos adoravam o bom cinema, especialmente Chaplin, Tarantino e o brasileiro Glauber Rocha. Curtiam o cinema francês antigo e moderno.  Eram fãs  da Juliette Binoche. Só discordavam em religião: ele era ateu (ou à toa, como dizia). Ela agnóstica. Mas ambos acreditavam que, após a morte, as consciências se encontrariam na eternidade. Nada com sabor de religião... 
                                    
     Passaram-se 3 anos. Véspera de ano novo. Chegou uma mensagem dele. Sofrida, reticente. Dizia em 14 palavras: “gostaria de te conhecer e ir à tua cidade... Te amo... te vejo na eternid...” A frase ficou incompleta. Na outra face do facebook, ela digitou: “lamento nunca ter visto o teu rosto.  Breve nos encontraremos  na eternidade... As  nossas consciências  jamais serão deletadas.”  E fechou a página para sempre.


OLHOS IMENSOS 
CUIDAM DO PLANETA
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
                                        
                     
                                   Seu olhar era penetrante. Como duas amêndoas verdes, fitava o interlocutor sem desviar do que via. E era particularmente bonito. Desligada das coisas da beleza, até demais para a idade, ela desconhecia ou fazia força para ignorar o fascínio que exercia... Os pais desconfiavam, desde cedo, as coisas diferentes que Ariê fazia: se alguém perdia um objeto, ela encontrava imediatamente. Ou se alguém estivesse em dificuldades, ela resolvia com preciosos conselhos.

Sempre foi assim. E com o passar dos anos esta qualidade, despretenciosa, só foi crescendo. Passou num concurso público em 1º lugar e no vestibular repetiu o feito. Para melhorar o orçamento, entrou num concurso televisivo respondendo sobre os feitos de Júlio Verne e chegou à etapa final, entusiasmando-se de vez pela Engenharia que cursou com brilhantismo...

Aí a sua vida deu uma guinada. Engajou-se no movimento ambientalista e a sua principal colaboração não era a agitação, mas a solução de sérios problemas que afetavam a vida na Terra... E, então, mergulhou radicalmente num ambicioso projeto contra os combustíveis fósseis. E o seu alvo principal era, nada menos, que a exploração do Pre-sal e suas consequências a 7.000 metros de profundidade...

Avessa à publicidade, era discreta em suas pesquisas. Mas chegou um momento em que ser discreta era impossível. E qualquer publicidade, naquele momento, era benvinda. Até porque acabara de descobrir junto a uma rede de ambientalistas internacionais um fato impressionante: a compra, fraudada, do tubo destinado a alcançar o Pre-sal constituido de  material absolutamente inadequado para aquele procedimento. Como consequência da corrupção que envolve a Petrobras, o tubo de baixa qualidade, barato e superfaturado, não aguentaria a pressão a tal profundidade e o desastre seria incontrolável, indescritível, trágico...

Ariê e seus companheiros, com a cumplicidade de parte da tripulação de um navio holandês, subtraiu uma pequena peça do complexo de tubos. E a levou para laboratório. E constataram a qualidade inferior. Pela tv, jornais e internet Ariê tornou-se porta-voz do iminente desastre. Ela disse que a fragmentação do tubo espalharia o petróleo incontrolavelmente por  imensa parte do oceano e a retenção do jorro a 7.000 metros seria quase impossível. O mar ficaria apodrecido por décadas e décadas. E o desastre alcançaria outros oceanos...

Como consequência, a ONU exigiu que o governo brasileiro suspendesse o projeto Pre-sal indefinidamente. Não só por apontar a corrupção que cerca o projeto como uma forma de apoio à deliberação dos países mais industrializados do mundo de acabar com os combustíveis fósseis. "Os peixes e as pessoas no planeta podem respirar aliviadas, por enquanto" - suspira Ariê!

A perseguição foi inevitável: Ariê perdeu os incentivos para as pesquisas que realizava e uma moção patrocinada por parlamentares corruptos chegou a ser esboçada na Câmara dos Deputados definindo as ações dela como de lesa-pátria. Só não vingou porque estudantes e pessoas do povo, de todas as classes, protestaram em seu favor. Ela ficou à margem, dando aulas para sobreviver. Mas o que ela queria era pesquisar. Seu mundo era um laboratório...


Ariê não tinha mais ambiente no Brasil. Pensou, pensou e fez as malas rumando para um país ignorado. Hoje, de onde ela estiver, seus imensos olhos verdes preocupam-se com o planeta e apontam, saudosos, para o Brasil.


UM HOMEM SÓ,
 2 TERNOS E
2 CAMISAS
IMPECÁVEIS...
                                                                                       conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
       


   Vivia só. Absolutamente só. No seu pequeno quarto havia o essencial: um fogão a gás. Mesa e duas cadeiras. Uma cama menor que a de casal e maior, um pouco, que a de solteiro. Um banheiro minúsculo que ele construira para o locador descontar aos poucos no aluguel...

   Ah! e um guarda-roupa com coisa pouca e, pasmem!
Dois ternos alinhadíssimos, 2 camisas impecáveis e 
gravatas de grife. Para quê? Já veremos...

   Alberto recebia a irrisória aposentadoria de um salário
mínimo, mas a sua mesa era farta, fartíssima. Ele fizera um
curso de culinária que colocava em prática todos os dias só
para si. Nunca faltava atum ou carnes nobres (nunca de 2ª),
azeite importado, bom vinho e, não raro, caviar...

   Por generosidade, em todos os almoços dava boa parte da 
alimentação para um casal paupérrimo que tinha dois filhos 
pequenos e moravam num quarto ligeiramente maior que o seu. Sua 
vida era pacata e duas vezes por semana uma mulher de uns 
trinta anos passava a noite com ele fazendo sexo...

   Três vezes por semana vestia o melhor terno e uma 
impecável camisa e ia em direção ao maior supermercado da 
cidade. Ele sabia que havia câmeras vigiando por todos os 
cantos. Ou, quase todos. Na espaçosa padaria coberta por um 
toldo que impedia o acesso das câmeras, era ali que Alberto 
realizava o seu pequeno saque. Ele retirava do carrinho alguns 
dos poucos produtos e acomodava em bolsos extras o que 
poderia caber sem ser notado... Depois dirigia-se com elegância 
ao caixa e pagava por dois ou três artigos bem baratos.

   Duas coisas eram fundamentais para o êxito da operação: não
ser ganancioso. Nunca levar o que poderia ser notado. Evitar 
pequenos supermercados, pois eram mais vigiados. Nunca pintar o
o cabelo branco (o que dava um ar de respeitabilidade). E nunca 
esquecer de andar bem trajado. Só uma coisa atrapalhava naquele dia: 
o excesso de calor, quando o terno e gravata podiam chamar a atenção...

   Pois foi isso que liquidou o plano de Alberto. O calor. Um excessivo 
calor de 45% em pleno inverno! Que desarranjo infernal. Alberto estava 
prestes a ser atendido, quando a caixa avisou que o sistema de ar-condicionado  
caíra mas voltaria quando os geradores ligassem. Por uma razão 
desconhecida os geradores empacaram e já durava 30 minutos aquela agonia.
Os clientes suavam profusamente e as portas elétricas não abriam...

   Foi aí que uma garotinha de uns seis anos virou-se para Alberto e sugeriu que ele
tirasse o casaco ensopado de suor. Ele relutou, mas acabou concordando. A garotinha tentou ajudá-lo, mas desequilibrou-se com o pesado casaco que caiu quebrando a
garrafa de vinho do porto ali escondido. O barulho chamou a atenção da segurança que descobriu todo o ardil. A energia voltou naquele instante e Alberto foi posto na rua com muitos xingamentos... E com a advertância de que não mais voltasse!  "Da próxima vez - berraram - vamos chamar a polícia. Não importa que você seja um velho..."

   Quando retornou ao seu quartinho encontrou, no corredor, o casal que ele ajudava. 
E berrou: "não falem comigo! Não me façam perguntas!". E antes de fechar a sua porta,
berrou"hoje e tão cedo não haverá mais ajuda. O casaco me dedurou... 
E o casal não entendeu absolutamente nada.
** Observações colhidas quando da distribuição
do "facebook-caseiro", meus
panfletos com a propaganda dos contos

Na plataforma do metrô, na Estação Rodoviária,
conheci a adorável Simone/Sorriso

Mãe e menininho no
FINAL DA LINHA EM NOVO HAMBURGO...

 GENEROSA ATITUDE NO FINAL DA TRENSURB, EM N. HAMBURGO, 4ª FEIRA 
À TARDE (09-3-2016) QUANDO UMA JOVEM MÃE ANTES DE ATRAVESSAR A CATRACA DE SAÍDA, MANDOU O SEU LINDO FILHINHO DEVOLVER-ME O PANFLETO DE PROPAGANDA DOS CONTOS,  ACOMPANHADO DE ALGUMAS MOEDAS; AS QUAIS RECUSEI E FIZ UM GESTO COM AS MÃOS DIZENDO-LHE QUE BASTAVA A SUA ESTIMA. POR ISSO, AGRADEÇO, SENSIBILIZADO, A SUA INTENÇÃO E DIGO-LHE QUE MAIS IMPORTANTE QUE OS CONTOS É CONSTRUIR UMA BELA AMIZADE.  E PEÇO QUE ELA ENVIE-ME UM E-MAIL. (Ela só deve ter lido o conteúdo depois. Inicialmente deve ter pensado tratar-se de um pedinte, muito comum nos vagões). Grato! Ronaldo

JOVEM POLICIAL MILITAR FELIPE HEIBUTCKE FERREIRA, 30 ANOS, LEU OS
CONTOS E ENTUSIASMOU-SE COM  "O ÚLTIMO ORELHÃO", PELO QUE AGRADEÇO. MAS ANTES BATEMOS UM ANIMADO PAPO. FICO SABENDO PELO SEU SOBRENOME QUE ELE TEM ORIGEM JUDAICA. VAI DAÍ QUE HEIBUTCKE TEM UM SONHO MUITO PARTICULAR: ALIADO AO SEU CURRÍCULO POLICIAL E CONHECIMENTO DE RECURSOS HUMANOS ELE DESEJA MIGRAR PARA ISRAEL; O QUE NÃO SERÁ DIFÍCIL ESTIMULADO
PELA SUA JUVENTUDE E DETERMINAÇÃO. 
SUCESSO, JOVEM RECENTE AMIGO!

OI, ÂNGELACOMO FOI O RESTO DA VIAGEM?

OBRIGADO, MAURÍCIOPELA SUA REVELAÇÃO DE QUE LEU PARTE DA SINOPSE DA COLETÂNEA NO SEU TABLET E GOSTOU DO QUE VIU...

JOÃO e FLÁVIODA UNISINOS, VOCÊS DESCERAM ANTES DE MIM MAS
REVELARAM  OS SEUS NOMES E PROMETERAM COMPARTILHAR COM OS SEUS COLEGAS.

                                            MAMÃE E SEU BEBEZINHO 
                                              EMOCIONAM O METRÔ...
  
JOVEM MAMÃE, magrinha, meiga e comoventemente carinhosa  com o seu BEBEZINHO FOFO no colo qual uma madona moderna com o seu Menino Jesus urbano, E UMA GAROTINHA DE UNS 5 ANOS (provavelmente sua filha), DE PÉ, RECOSTADA NAS SUAS PERNAS EQUILIBRANDO-SE NO BALANÇO DO TREM E SEGURANDO UM BALÃO VERDE NA TARDE DE SÁBADO, DIA 09/01/2016, EM UM DOS VAGÕES DA TRENSURB, CHAMAVA A ATENÇÃO DOS PASSAGEIROS, EMBEVECIDOS, PELA TERNURA COM QUE ELA TRATAVA O SEU BEBÊ, COBRINDO-O DE BEIJOS. 
E O BEBEZINHO CORRESPONDIA ( o que deixa claro que há uma possível empatia desde a mais tenra idade). A MAMÃE tão envolvida estava que nem notava mil olhares crivados nela pelos passageiros. POR ISSO, ENTREGUEI-LHE O BILHETINHO COM A PROPAGANDA DOS MEUS CONTOS. GOSTARIA DE NARRAR PARTE DO SEU EMOCIONANTE ENVOLVIMENTO... POR FAVOR, mamãe, PASSE-ME UM E-MAIL (telleronaldo@gmail.com) OU TELEFONE PARA (051)-8474-0903. Estou preparando uma série intitulada "RELATOS DE VIDA". Um comovido abraço! Ronaldo   
   
* "BLUSA AMARELA"/Estação Rodoviária: fizeste uma viagem feliz? 
                                          Bons sonhos!  Escreve. 
FRANCIELE/ônibus: bela dica, a de que Cristo rejeitou esmolas. 
                                         Um afetuoso abraço, Ronaldo       

* Caro ALFREDOEstação Petrobrásque emoção! você e a sua namorada  (na pressa não
perguntei o nome dela) leram 4 sinopses no smartphone, ali mesmo na estação. Ambos gostaram do O Último Orelhão e ela gostou do romântico A Espera e acharam trágico demais o Ensina-me a Morrer... E, sentados, perderam pelo menos 3 trens. E ficaram de ler o resto em casa.  Mas, por favor, compartilhem esta "amostrinha" que foi destinada para poucos. Grato, mil vezes grato! Um abração do tamanho da linha do metrô (sei que não é "metrô" mas é tão simpático chamá-lo como tal). Do amigo Ronaldo

JÚLIA/Estudante de Direito: nem percebi que já estava no final da linha, em Novo Hamburgoquando perguntaste se eu não ia descer? Só descobrí quando o trem começou a engolir os trilhos em direção ao Mercado. Moro em Alvorada e estava distribuindo os "bilhetinhos com os meus contos" quando assisti, comovido, que foste a única a dar um trocado para o palhaço. Retornei com ele e dei um trocado também. Ele merece fazendo a alegria da maioria dos vagões sizudos, taciturnos... Lamentei não ter aceitado descer contigo. Teríamos batido um ótimo papo, além de ter podido conhecer Novo Hamburgo. Manda o teu comentário, mesmo que seja para uma única sinopse... E adquira a coletânea. É só R$ 3,00! E sejamos amigos, se possível.  Um imenso abraço do viajante errante Ronaldo

        OBS.: estou procurando uma vaga de redator free lancer, sem vínculo empregatício.                                                                      Submeto-me a teste.